Sem internet, estudantes de favelas não conseguem se preparar para o Enem

Logo facebook compartilha Logo twitter

Desde o início da pandemia tem sido assim: Luiz Menezes, 19, acorda e tenta se conectar ao wi-fi da Associação de Moradores da Nova Holanda, favela do Complexo da Maré. Os poucos minutos aos quais tem acesso à internet do vizinho são fundamentais para que consiga fazer download do material didático disponibilizado pelo pré-vestibular comunitário. Mas, quando a conexão não funciona, Luiz sabe que não terá como estudar por mais um dia

Sem acesso próprio à internet, o sonho de chegar ao ensino superior se torna ainda mais distante no horizonte dele e de outros vestibulandos de favelas do Rio de Janeiro. As dificuldades impostas pela exclusão digital se acentuaram desde o início da quarentena, quando as aulas presenciais foram suspensas.

Cabe aos jovens sem internet recorrer a livros e apostilas, sem ter como tirar dúvidas com professores em salas de aula ou em conferências pela internet oferecidas a alunos de pré-vestibulares privados.

Às vezes, a internet da associação de moradores falha e perco a continuidade das leituras. Às vezes, a velocidade não é suficiente para assistir a uma videoaula. Sigo estudando por materiais aleatórios, mas com dificuldades. Tenho tentado não parar, mas às vezes bate a desmotivação. Não ter internet nesse momento em que não podemos sair de casa é um obstáculo enorme

O estudante, que tentará uma vaga no curso de Ciências Sociais de uma universidade pública, admite apreensão em relação à data do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Originalmente marcado para os dias 1º e 8 de novembro, o exame regular não deve ser remarcado, de acordo com o ministro da Educação, Abraham Weintraub —apesar dos impactos da pandemia na vida dos estudantes menos abastados.
Sobre as perspectivas para a prova, caso a data não seja remarcada, Luiz deixa escapar a falta de esperança. “Nós, que moramos em favelas, já saímos atrás nessa corrida. Não sei como vai ser”, desabafa.

A pouco mais de 15 km do Complexo da Maré, o também estudante Pablo Henrique Saldanha, 18, vive agonia similar na favela da Vila São Luiz, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Sem ter um computador e com acesso restrito à internet, ele usa o único smartphone da família para entrar na plataforma virtual criada pela Secretaria Estadual de Educação e não perder as matérias do último ano do ensino médio.

Com o mesmo aparelho, ele tenta assistir às aulas do pré-vestibular comunitário. No ambiente virtual criado pelo governo para que os alunos não percam conteúdos didáticos durante a pandemia, Pablo encontra dificuldades. Ele sonha cursar Direito em uma universidade federal.

Leia Original a https://educacao.uol.com.br/noticias/2020/04/28/sem-internet-estudantes-de-favelas-sofrem-com-preparacao-online-para-enem.htm.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


quantidade de comentarios 170 0
data publicacao 170 29 de abril de 2020
categoria 170 Notícias