CONEXÃO MG: ITAÚNA

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Por Edênia Alcântara 

Presidente da Associação Comunitária de Moradores do bairro Vila Nazaré, Coordenadora do Centro da Juventude, Coordenadora do Cursinho Popular Gabarita Enem e Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Itaúna).

Em minha cidade Itaúna – interior de MG, com cerca de 90 mil habitantes, venho trabalhando em meu bairro, Vila Nazaré e bairros vizinhos,  junto à  Associação de moradores, sobre a conscientização de prevenção ao novo Covid/19.

Nós, moradores de áreas de vulnerabilidade social, sabemos muito bem que quando se trata de estrutura são situações bem precárias, são casas pequenas e famílias grandes.

O lazer: o ponto de encontro sempre foi a rua, as esquinas. A rua é como se fosse uma extensão das nossas casas. E  em tempo de pandemia falar sobre isolamento pra nós, é repensar maneiras de como se isolar e como evitar aglomerações. Repensar maneiras de levar informação para os vizinhos que não possuem internet em casa ou um smartphone. Criar redes de apoio para mulheres que são mães solos e perderam a  renda. Auxiliar os moradores a solicitar o auxílio do (des)governo.

A rotina por aqui não está muito diferente: crianças e adolescentes ainda estão a se aglomerar nas ruas, andando de bike, jogando bola, sentados nas esquinas pra passar o tempo. Esperando notícias do que acontece pelo mundo afora. Às vezes com alguns olhares tristes com saudade da escola, saudade da rotina de viver em outros lugares, além da rua principal do bairro.

Esses dias fui chamar a atenção deles, porque estavam sem máscara. Um deles me disse que eu parecia a tia da fila da merenda, e que ele estava com saudade até dela chamando a atenção dele quando ia pra cantina correndo. Perguntei se ele estava com saudade da escola também e ele disse que sim, e a saudade maior era da merenda mesmo…

São pequenos relatos que ouço e noto as dificuldade que as famílias estão passando. São várias crianças, adolescentes, jovens sem aula e em casa. Sem ter as refeições fixas.

Grupos de apoio a famílias aqui da cidade estão se mobilizando pra suprir essas  necessidades de cestas básicas, leite. Apoiar as famílias que estão passando por algum tipo de dificuldade. Instituições, ONGS  que atendem públicos diversos, como asilos, abrigos, comunidades terapêuticas, também estão passando por momentos complicados pela falta de recursos arrecadados.

Para além desse apoio material às famílias, tem outras dificuldades em outras áreas na qual estamos tentando criar maneiras de diminuir o impacto negativo sob as pessoas. Atualmente sou coordenadora, junto com o estudante de medicina Pedro Nilo, do cursinho popular Gabarita Enem, no qual já estamos com um cronograma de aulas preparado com a  ajuda de professores voluntários. Porém, não conseguimos dar continuidade em nossas atividades e estamos recriando maneiras de não deixar os alunos desamparados. Alunos esses que são estudantes da rede pública e que estão todos sem aula e, infelizmente, com a data das provas do ENEM 2020 permanecendo a mesma. 

No meu bairro conto com a ajuda de voluntários que doam materiais para confecção de máscaras – as quais distribuo de forma gratuita, cestas básicas, faixas de conscientização e o diálogo direto com essas famílias que precisam de apoio e informação. É um trabalho de muitas mãos que vem dando certo e costurando essa rede de apoio tão necessária.

Edênia Alcantra

Relato de Edênia Alcantra, moradora de Itaúna em 05/2020 – Coletivo DTS.

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data publicacao 273 19 de Maio de 2020
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