CONEXÃO MG: Conjunto Palmital em tempos de pandemia

Logo facebook compartilha Logo twitter

Por Denis Maciel

Olá, pessoal!

Meu nome é Denis Alexandre, tenho 35 anos e sou morador do Conjunto Palmital em Santa Luzia, habitação de cerca de 18 mil pessoas. Nos 18 anos em que moro nesta comunidade acompanho a luta de meus pais por melhorias da região. Inspirado neles, hoje também atuo como educador social e líder comunitário nos últimos sete anos.

Para quem não conhece, o meu querido Palmital (Conjunto Palmital) foi fundado em 1984, construído pelo Governo Estadual da época por meio da COHAB-MG, e é subdividido em setores A e B. O setor conhecido como Palmital A foi apelidado por populares como “caldeirão”, e está dividido em setores 6 e 7, onde está localizada a maior feirinha popular do Brasil. A Feirinha do Palmital fica localizada na pracinha da Savassi, e reúne em média 100 feirantes e empreendedores que buscam ali seu sustento e a realização de seus sonhos.

Nos vários anos vividos aqui, nunca vi o Palmital desta forma, com ruas e becos vazios, academias fechadas, comércios tendo restrições com os clientes e, pela segurança de todos, não houve mais a realização da tradicional “Feirinha do Palmital”.

Um deserto assustador! Sair na rua e não ver aquele movimento de gente costumeiro, os moleques aos montes batendo bola na rua até a quadra do setor 6, o sobe e desce nas ruas e os pontos de ônibus cheios. Sei que é por uma boa causa, e que continuemos assim.

Só o que me preocupa são as dezenas de pessoas que pelas manhãs ainda saem daqui para irem a BH e outras cidades darem um trampo. E ainda se espremem nos busão lotado agora com horários reduzidos. Vixe maria! Agora está rolando um álcool em gel, e devido aos corres ninguém quer chegar atrasado, ficando difícil de manter o distanciamento.

De rolê por aqui, vira e mexe estamos lidando com casos de famílias com dificuldades devido à questão de não conseguirem sair para “trampar”. Vários relatos de pessoas desesperadas por se depararem com suas latas vazias. Em conjunto com as outras lideranças, estamos aos poucos identificando as famílias nesta situação e buscando apoio.  A gestão municipal tem feito um trabalho, mas que ainda não é o ideal, pois sabemos que devido à precariedade do serviço, algumas localidades no fundão do Palmital estão com dificuldades de acesso aos serviços básicos. Seguimos aqui articulando algumas frentes de arrecadações e apoio a estas famílias.

Aqui ainda existem quebradas como o Alto São Cosme onde nem o saneamento chegou, além de alguns casos de famílias como as da região do Palmital que até hoje sofrem com as consequências das chuvas de janeiro, e quando começaram se reerguer, veio o coronavírus.

Eu que continuo com o meu trampo de educador tenho que sair na rua e ainda vejo muitas pessoas andando sem máscaras, e frequentando alguns espaços e comércios que estão abertos, como bancos, casas lotéricas e supermercados, etc.

Um movimento que tem me orgulhado muito são as campanhas solidárias que vários grupos e instituições sociais têm feito. Uma dessas campanhas busca auxílio aos empreendedores da feirinha e é feita pelo líder dos barraqueiros (Reginaldo “o ye”), e tem o objetivo de gerar doações de alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal. Outra frente que é massa de ver é a movimentação dos clubes de futebol em conseguir arrecadações de cestas básicas e distribuir para os moradores impactados.

Seguimos nós na luta diária, e desejamos que Deus possa olhar para o povo da periferia. Vamos ter fé, vamos juntos superar e em breve voltar à rotina e ser a nossa grande Palmital de todos.

https://www.instagram.com/denisalexandremaciel/

Relato de Denis Maciel, morador do Conjunto Palmital em Santa Luzia em 05/2020 – Coletivo DTS.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


quantidade de comentarios 352 0
data publicacao 352 9 de junho de 2020
categoria 352 Ações