CONEXÃO MG: Cuidados para a comunidade durante a pandemia

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Por Hilcéia Moreira

“A vida da aldeia, de fato, dá-se do lado de fora.”

(Sobunfu Somé – O Espírito da Intimidade)

A frase citada te lembra algo? Alguma semelhança com a organização das nossas comunidades, até os dias de hoje? 

Muito do que conhecíamos mudou nos últimos três meses. A ordem agora é ficar em casa, se possível, e evitar aglomerações, pois o risco de contágio pelo coronavírus é real. Mas, como ficar em casa quando precisamos garantir o nosso sustento e dos nossos? Se não sabemos o que o amanhã trará? Se, para muitos, estar em casa não é estar seguro? E se, para as comunidades, a vida acontece do lado de fora?

Já não podemos sentar na pracinha no fim do dia para “colocar o papo em dia”. As “peladas” nos campinhos, as festas e resenhas estão proibidas ou, no mínimo, adiadas. Ir em grupo para a escola, não mais; e a própria escola se encontra fechada. O mesmo vale para os encontros religiosos. 

Nos juntar para o almoço em família, aniversários e demais datas comemorativas agora oferece risco para nós e para aqueles que amamos. Até mesmo as compras nos fins de semana, que eram um momento de encontro com os conhecidos que não víamos há muito tempo, momento de troca de dicas e atualização sobre os acontecimentos, mudou. Agora esses encontros precisam ser feitos com várias precauções. E por aí vai. 

Este “novo normal” é muito diferente em vários aspectos, a insatisfação, a tristeza, o medo, a ansiedade diante de tantas mudanças e as incertezas são legítimas. É um verdadeiro processo de luto pelas mais de 50 mil vidas que já foram perdidas, pelas modificações inesperadas e planos interrompidos. Assim, pensamentos como “Não acredito que isso esteja acontecendo”, “Não é tão grave assim”, “Quem já passou pelo que eu já passei, com certeza, está protegido”, e seus variantes, fazem parte do processo, mas a negação não é a única fase. 

O choque, a raiva pelas interrupções; a barganha, as promessas de mudanças caso seja, ou para ser, poupado; o sofrimento; a aceitação desse “novo normal” e a descoberta de formas para lidar com tudo isso também são fases do mesmo processo de luto. Vale lembrar que as fases não acontecerão necessariamente nessa ordem podendo, inclusive, se sobrepor. 

Estamos processando o luto pelas perdas, mudanças, interrupções. Agora, o que podemos e devemos fazer para lidar com tudo isso? Lidar com a presença cada vez mais próxima dos casos?

Precisamos redobrar nossos cuidados, individuais e coletivos. Sendo assim:

Reforce os hábitos de higiene. Só saia quando for realmente necessário e, se sair, use a máscara contínua e corretamente. Escolha fontes de informação confiáveis. Se atente às informações relevantes e saiba que o equilíbrio entre o se informar e se desconectar um pouco pode ser essencial. Mantenha o contato com as pessoas queridas. Faça chamadas de vídeo, bata um papo com os vizinhos “pelo muro”, pois, ter uma rede de apoio em tempos tão desafiadores também é essencial.

Pensando o convívio familiar, algumas regras (p.ex. horários para assistir TV, ou usar o celular) provavelmente precisarão ser flexibilizadas. Elas foram estabelecidas em outro contexto, quando era possível sair, ter contato físico e se divertir ao ar livre. O “novo normal” exige também novas regras, considerando que são tempos difíceis para todos nós. Conversem, façam atividades juntos. Estando em casa, talvez seja um bom momento para revisitar as histórias da família, envolvendo os idosos e crianças na contação e registro dessas. 

Se possível, apoie as iniciativas que já estão acontecendo perto de você, para o atendimento às necessidades dos indivíduos e famílias da sua comunidade. 

Não hesite! Se necessário, solicite ajuda da sua rede de apoio e ajuda profissional.

Relato de Hilcéia Moreira, moradora do conjunto Taquaril, psicóloga, mestra em Psicologia e integrante da Comissão de Psicologia e Relações Étnico-Raciais em 07/2020 – Coletivo DTS.

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data publicacao 418 6 de julho de 2020
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